Mente Zen, Mente de Principiante - Parte I - Prática Correta


Mente de Principiante

1 Há muitas possibilidades na mente do principiante, poucas na do perito.
2 É difícil praticar o Zen, não pela técnica ou iluminação, mas por ser difícil manter a mente e a prática puras.
3 Shoshin significa mente original, mente de principiante. Sempre rica e auto-suficiente. Vazia, aberta, alerta, pronta para tudo.
4 Para o estudante, o mais difícil é mantê-la. É não se tornar dualista
5 Discriminar, exigir, ansiar demais é perder shoshin. E acabar violando os preceitos: não mentir, roubar, etc.
6. Em shoshin não há pensamento egocentrado, do tipo: eu alcancei isto. Ele limita a vastidão da mente
7 Shoshin pode aprender tudo. Shoshin é mente de compaixão. Ilimitada
8 Shoshin é verdadeira consigo, está em comunhão com os outros, e pode praticar.
9 Não requer profunda compreensão ou muita leitura. Mas Mente virgem.

Primeira Parte – Prática correta

Postura

1 Na posição de lótus, se exprime a unidade na dualidade. Duas pernas como uma. Nem dois nem um.
2 Mente e corpo: nem dois, nem um.
3 Dois e um ao mesmo tempo. Plural e singular. Dependente e independente.
4 Coluna reta, queixo levemente retraído, diafragma contraído em direção ao hara, mãos formando o mudra cósmico com os polegares à altura do umbigo. Como quem segura algo muito precioso.
5 Braços livres, relaxados, ligeiramente afastados do tronco.
6 Firme como quem está sustentando o céu sobre a cabeça.
7 A postura não é meio para um estado mental correto. A postura correta é já o estado correto, é já o propósito da prática.
8 Não precisa buscar nenhum estado. Nada. Mate o Buda.
9. Fazer algo é expressar nossa natureza. As regras existem para cada um se expressar através delas de seu modo único.
10 Usualmente, tentamos mudar as coisas em vez de a nós mesmos. Mas sem nos mudar, não dá.
11 Quando fazemos a coisa certa no tempo oportuno, tudo se organiza.
12 Manter a postura em todas as atividades. Sem ela, não se tem lucidez. Este é o ensinamento.
13 É preciso alimentar o cérebro. Mas mais importante é ser você mesmo praticando a forma correta de viver.
14 Ao se encontrar, Buda viu que tudo tem natureza búdica.
15 Iluminação não é sensação especial ou estado mental. É postura correta e prática correta.

Respiração

1 Quando inalamos, trazemos ar pro mundo interior. Quando expiramos, levamos para o mundo exterior. Mas há só um mundo.
2 Se você diz 'eu respiro', o eu está a mais aí. O eu é como a gargante, uma porta para o vai e vem, que se move quando respiramos.
3 Quando a mente está calma, a garganta se move, mas o eu não. Não há eu a mover-se.
4 Há aí pura consciência do movimento da respiração. E com ela, saímos da consciência do eu pequeno para a da natureza universal ou de Buda.
5 Isto não é nem compreensão, mas a experiência da vida através da prática do zazen.
6 Sentar-se cônscio da atividade do Universo
7 Não há tempo e espaço, mas tudo é aqui e agora. Não há desejo de estar fora ou noutro tempo.
8 Não há bom e mau. Há o que fazer agora. E o que não fazer.

Controle

1 Viver o reino de Buda é morrer a cada momento.
2 Morrer é perder o equilíbrio. Mas isto é evoluir. Tornar-se mais belo e perfeito.
3 Pintura japonesa antiga: pontos em desordem de forma artística. Moderna: formal.
4 É difícil criar em desordem, fora de alguma ordem. Tendemos a alguma ordem ou controle.
5 É impossível controlar as pessoas. A melhor forma é deixá-las à vontade.
6. Dar a sua ovelha e vaca um pasto grande é mantê-las sob controle.
7 Nem ignorar as pessoas nem controlá-las: observá-las.
8 O mesmo quanto a si: não adianta controlar os pensamentos durante o zazen. Observar.
9 Não tentar concentrar a mente. Observar a respiração é simplesmente ver as coisas como são e seguir o seu curso.
10 Sair da mente pequena para a mente grande, que é o Todo.

As Ondas Mentais

1 Não tente deter seu pensamento. Deixe que ele pare por si mesmo.
2 Tentar parar significa estar sendo incomodado por ele
3 Nada que incomoda vem de fora. Vem de dentro, das ondas da mente.
4 A mente livre e calma é a mente grande. A mente agitada e presa a algo fora é a mente pequena.
5 Tudo está dentro da mente grande. Experimentá-la é o sentimento religioso.
6 Água e ondas são uma coisa só. Inseparáveis. Mente grande e pequena também.
7 Uma mente que não espera nada de fora é uma mente completa
8 A mente grande aceita toda experiência. Não há medo da morte ou do sofrimento, lugar a ir, etc.
9 Também não precisamos ir em busca de uma alegria excessiva.

As Ervas Daninhas da mente

1 Não é fácil despertar cedo pra meditar na postura correta. Mas persistindo, as ondas mentais diminuem e o esforço se torna um sentimento sutil.
2 As mesmas ondas que surgem vão ajudar a acalmar.
3 Alimenta-se as plantas arrancando as ervas daninhas e as enterrando ali junto.
4 As ervas daninhas viram alimento mental. Isto é auto-alimentação.
5 Nenhum esforço beneficia a prática, pois produz ondas na mente.
6 Mas é impossível obter serenidade mental sem algum tipo de esforço.
7 Temos que esforçar mas esquecermos de nós mesmos durante. Sem objetividade nem subjetividade.
8 Mente calma, sem ter nem consciência disto.
9 Esforçar-se até o momento que o esforço desaparece.
10 Focar na respiração até esquecer a própria respiração.
11 Persistir no esforço, mas sem almejar o estado posterior de não esforço.
12 Apenas focar na respiração. O esforço, inicialmente grosseiro, se torna cada vez mais puro.
13 Ao aprender o poder de purificar a si mesmo e ao que me rodeia, aprendo com todos e me torno amável com todos.




O Cerne do Zen
1 Há um sutra que diz: existem quatro cavalos, excelentes, bons, fracos e maus.
1,1 Os primeiros cavalgam veloz ou devagar sem nem ver a sombra do chicote.
1,2 Os bons, antes que o chicote chegue.
1,3 Os fracos, só quando sentem a dor do chicote.
1,4 Os maus, só quando a dor já chegou à medula dos ossos.
2 Se você acha que o Zen é para treiná-lo a ser o melhor cavalo, entendeu errado.
3 Praticando certo, não lhe importa que cavalo você é
4 E se você for a compaixão do Buda, sentirá mais simpatia pelo pior que pelo melhor.
5 Ao praticar zazen com a mente do Buda, verás que o pior cavalo é o mais valioso.
6 Nas imperfeições acharás a base da mente resoluta que busca o caminho.
7 Os que se sentam com perfeição física demoram mais tempo a alcançar o Zen.
8 Os que têm mais dificuldade, encontrarão nele mais sentido.
9 Os melhores calígrafos não são os mais habilidosos com as mãos. Estes encontram dificuldades após atingir certo estágio.
10 Shoshaku jushaku; engano contínuo, um erro atrás do outro. A vida de um mestre Zen. Que é também uma vida de esforço contínuo.
11 Um bom pai não é um bom pai. Aquele que pensa ser um mau pai está se esforçando sempre para melhorar.
12 Um pai com filho acamado de doença incurável se aflige e não descansa, sem poder fazer nada.
13 Para atenuar seu sofrimento mental, melhor seria sentar em zazen, mesmo em postura incorreta e em tamanha aflição
14 Se você não passou pela postura difícil de sentar numa posição como essa, não praticou zazen e nada poderá apaziguar seu sofrimento
15 Com o zazen longamente adquirido, o corpo e a mente aprender a aceitar as coisas como são
16 Quando estás contrariado, a melhor coisa a fazer é sentar-se. Não importa se sua postura é correta ou não, se você é o melhor ou pior cavalo.
17 Quando você se senta no meio do seu problema, você é mais real do que ele. Essa é sua força verdadeira, no agradável e no desagradável.

Não dualismo

1 A Prática deve ser feita sem ideia de expectativa, ganho, iluminação
2 Mas isto não é sentar-se sem propósito algum. O propósito é praticar e manter a prática.
3 Aferrar-se à ideia de que forma é vazio e vazio é forma é recair sutilmente no dualismo
3,1 Fará você, enquanto forma, tentar tornar-se vazio. Perceber-se forma aqui, e ver o vazio lá.
3,2 O Zen afirma que forma é forma e vazio e vazio. Não muda as coisas.
3,3, Mas para isso, a prática começa no estágio de forma é vazio e vazio é forma.
3,4 Quando você se unificar com seu objetivo, e o esforço desaparecer, passará além.
4. Deter a mente não é parar a mente. Mas impregnar todo o corpo com ela.
4,1 Sua mente respira com você. Forma o mudra com suas mãos.
4,2 Você se senta com as pernas doloridas sem se incomodar com elas. Senta-se sem nenhuma ideia de ganho.
5 Encontrar seu caminho em meio às restrições é o caminho da prática
6 Prática não é fazer qualquer coisa e achar que é zazen. É quando as restrições não o limitam.
7 Quem diz que qualquer prática importa por já ser búdica, já está no dualismo. Pois, se não importasse, nem seria preciso dizer isso.
8 Quem diz que não tem importância está justificando o fazer estas coisas com a mente pequena.
9 O zazen verdadeiro é realmente comer simplesmente ao estar comendo, respirar simplesmente ao estar respirando. E só.
9,1 Mas no início é difícil aceitar as coisas como elas são. Sentar-se com o incômodo e praticar com dor nas pernas ou sono.
10, Uma pessoa com diagnóstico terminal pode praticar zazen, tentando esvaziar a mente. Tentando se livrar do sofrimento da dualidade. Esta é a prática forma é vazio e vazio é forma.
11, Mas, se procurar viver cada dia e instante aproveitando, esta é a prática forma é forma e vazio é vazio.
12, Quando o Buda aparecer, você recebe. Quando o diabo aparecer, você recebe.
13 Para o iniciante, é preciso grande esforço
14, Mas é preciso persistir no caminho, até esquecer tudo sobre você mesmo.
15 Ao fazer algo, apenas fazê-lo deve ser seu único propósito.

Reverência

1 Após o zazen, fazemos nove prostrações. Reverenciar é abrir mão de nós mesmos.
2, É sair do dualismo. É respeitar algo mais valioso que nós mesmos.
3, Reverenciar o Buda sem ter uma ideia sobre o Buda é se tornar um com o Buda, é se tornar o próprio Buda, é se tornar um com tudo o que existe. É encontrar o verdadeiro significado de ser.
4, Tudo se torna o seu mestre, e tudo pode ser objeto de culto.
5 Homem e mulher, mestre e discípulos, humanos e animais, se reverenciam mutuamente.
6, Acabam as distinções
7, Um mestre que não pode reverenciar um discípulo não pode fazê-lo com o Buda.
8, Na mente grande cabem todos os seres, e tudo tem igual valor. Tudo é o Buda.
9, Aceitar as coisas como são é dedicar a todas elas o respeito que se tem ao Buda.
10, Deste modo, o Buda curva-se ao Buda através de você, e você a você através dele
11, Você reverencia a si mesmo de modo verdadeiro, percebendo-se um com tudo.
12, Reverencie verdadeiramente e todos os preceitos serão seus e tudo estará em sua mente grande
13, O mestre Rikyu, da cerimônia do chá, fazia tudo sem dualismo. Estava pronto a morrer a cada momento. Morria e renascia sempre. A cerimônia é uma grande reverência.
14, Curvar-se em reverência ajuda a limpar nossas ideias egocentradas.
15, O resultado não importa. O esforço é que é precioso. E não acaba nunca.
16, A reverência nos quatro votos budistas
A, Embora os seres vivos sejam inumeráveis, eu me comprometo a salvá-los.
B, Embora meus desejos sejam inesgotáveis, eu me comprometo a me libertar deles.
C, Embora os ensinamentos sejam ilimitados, eu me comprometo a aprendê-los todos.
D, Embora o budismo seja inalcançável, eu me comprometo a atingi-lo.
17, Fazer o que é possível não é o budismo.
18, Quando nos esforçamos pelos votos, nossos desejos mais profundos são apaziguados, e isto é o nirvana.
19, Calma não é cessar as atividades. Calma nelas é que é a verdadeira calma.
20, Após certo tempo, você vê que não dá pra progredir rápido. É sempre aos poucos.
21, Se tive uma ideia formada de progresso, achará enorme lentidão.
22, Não há um parâmetro, como se sabe estar molhado assim que se entra no chuveiro
23, Desistindo de medir o esforço ou de aumentá-lo, o esforço se concentra no instante.

Nada Especial

1, Zazen é maravilhoso. Não há outra prática além dessa. É a nossa verdadeira natureza.
2, Mas não é nada especial.
3, Quando pensamos: "estou fazendo algo", ou, "preciso atingir isto', não estamos fazendo nada.
4, Quando renunciamos, quando não desejamos, quando não tentamos fazer algo especial, aí estamos fazendo alguma coisa.
5, Não há ideia de ganho, nenhum objetivo.
6, A iluminação é uma experiência maravilhosa para aqueles que não a tiveram, e comum para quem chegou lá.
7, É nada, e ao mesmo tempo é algo.
8, Ao expressar nossa verdadeira natureza, somos seres humanos. Quando não, não sabemos o que somos. Existimos, mas ainda não somos humanos
9, Quando o Zen não é ainda o Zen, nada existe.
10, Tudo o que é verdadeiramente expressa sua própria natureza. Sua natureza de Buda.

11, Praticar zazen sem finalidade alguma, apenas reassumindo sua verdadeira natureza.  

Mente Zen, Mente de Principiante - Parte II - Atitude Correta


Segunda Parte - Atitude Correta

O Caminho-Uno

1, Qualquer coisa que se faça é incomum, pois a vida é incomum.
2, Dar-se tempo para fazer as coisas sem expectativa, p ex, cozinhar, é zazen.
3, O Caminho do Bodishattva é o caminho-uno, uma trilha com milhares de km.
4, Mesmo que o sol nascesse no Ocidente, seu caminho não muda.
5, Seu Caminho é expressar a sua verdadeira natureza
6, Sem começo, sem fim. Nem mesmo trilho. Nada a ser alcançado.
7, Se fica curioso acerca do trilho, há perigo. Olhar pra ele é ficar tonto.
8, Qual é o segredo do Bodishattva ser sempre o mesmo. Não há segredo. Também o somos.
9, Após a palestra, não é preciso lembrar o que foi dito, nem entender o que foi dito. O ouvinte já tem todo o entendimento dentro de si. Não há problema.

Repetição

1, Ascetismo: mortificar o corpo para libertar o espírito
2, Para descobrir como o homem comum se torna iluminado, como a farinha vira pão. Buda repetiu inumeráveis vezes.
3, A repetição é tediosa quando sem força e espírito de vitalidade.
4, Buda não se preocupava com explicações metafísicas. Um sábio é o que é. Iluminação é iluminação.
5, A prática não pode se tornar demasiado idealista. Um artista idealista suicida, pelo abismo entre o ideal e sua real habilidade.
6, Devemos ter certo idealismo – querer fazer pães bonitos e saborosos.
7, A prática é descobrir como se tornar pão.
8, Fazer zazen e colocar-se no fogo é o caminho.

Zen e Empolgação

1, É necessário seguir a via constante.
2, As dificuldades nos tiram da prática serena e calma, mas não parte da prática.
3, O zen não é empolgação, e sim concentração em nossa rotina diária.
4, Se você fica muito ocupado e agitado, sua mente se torna grosseira e instável.
5, Ficar interessado em situações excitantes e na mudança constante nos agita e perde.
6, Quem começa a praticar zen por curiosidade, apenas fica mais ocupado ainda.
7, É ridículo sua prática fazer com que você fique pior.
8, Os jovens tentam largar as atividades e ir pra montanha. Este não é o real interesse.
9, Zazen uma vez por semana já o tornará suficientemente ocupado.
10, Não se interesse demais pelo Zen
11, Continue a prática de forma calma e regular e seu caráter estará sendo construído.
12, Se sua mente estiver sempre ocupada, não terá tempo para essa criação, e seu esforço será estéril.
13, Como a massa, misture aos poucos os ingredientes. Você sabe sua temperatura adequada.
14, Não se trata de realização gradual. Praticar com calma e constância na vida diária já é a iluminação.

Esforço Correto

1, O esforço deve ser dirigido do resultado para o não resultado.
2, Libertar-se dos resultados desnecessários e maus do esforço
3, Se você faz com espírito de não resultado, há qualidade no que faz.
4, O simples fazer sem esforço é o ideal.
5, Mesmo que não faça nada, você tem a qualidade do zazen. Se tentar obter, não a terá.
6, O som está na mão antes da palma. Existe antes de ser produzido. É produzido porque já é.
7, A dificuldade ou esforço sem medo é o esforço correto.

Sem deixar rastros

1, As ideias são sombras que se projetam sobre as ações.
2, Há não só as sombras das ações em execução no momento, mas infindáveis outras.
3, Quando agimos sem ideias e sombras, a mente é clara e livre e a ação vigorosa.
4, A mente confusa e relativa estabelece a si mesma limitando-se diante das coisas, criando ideias.
5, Ela cria ideias de ganho e deixa rastros.
6, E se apega aos rastros. Que não correspondem ao que realmente foi feito.
7, Rastros são ideais autocentradas. Egoístas.
8, Quem se orgulha do que fez, cria problemas pra si. Distorce mais e mais a personalidade.
9, Lembrar do que fizemos, mas sem apego. Sem rastros.
10, Para não deixar rastros, fazer a coisa com todo o corpo e mente. Concentrado.
11, Como uma boa fogueira que se consome. E não como a que só faz fumaça.
12, No Zen, se é uno com ele. Na reverência, não há buda nem eu, há só a reverência plena. E isto é nirvana.
13, A flor que Buda deu a Maha Kashyapa. É a verdadeira atividade, que abarca tudo. Sem rastros.
14, Em vez de criticar sua cultura, pratique o zen e renove a sua cultura.
15, Quem critica muito está apegado ao que critica.
16, Algo pode ser simples, mas se não se sabe o valor disto, é mesmo que não saber.
17, Não é preciso ir em busca de algo belo ou bom. A verdade está sempre ao alcance da mão.

O Dar de Deus

1, Tudo que existe é algo que nos foi e está sendo dado. Ao mesmo tempo, estamos dando tudo. Pois tudo é um.
2, Sempre estamos criando algo. Mas este eu que cria é o grande Eu. Uno a tudo.
3, Seis modalidades do verdadeiro viver
A, Dana prajna paramita: Dar, sabedoria, atravessar a outra margem do rio
a,1 Alcançar o nirvana
B, Sila prajna paramita: os preceitos budistas
C, Kshanti prajna paramita: perseverança
D, Virya prajna paramita: vigor e esforço constantes
E, dhyana prajna paramita: a prática do zen
F, Prajna paramita: a sabedoria.
4, Dar é não apego.
5, Com o espírito correto, tudo que fazemos ou criamos é dana prajna paramita
6, Dar um ensinamento, uma coisa, uma obra, uma oferenda qualquer.
7, Criar com o grande eu é dar. Pois quem cria é Deus.
8, Não criamos nem possuímos o que se cria por nosso intermédio.
9, Não se apegar ao valor de troca da coisa. Insignificante diante do valor absoluto.
10, Mesmo coisa sem valor de troca tem valor absoluto. Não estar apegado é estar consciente deste.
11, Tudo que se faz sem consciência de valor material egocentrada é dana prajna paramita.
12, Três modos de criação
12,1 Retornar do zazen, onde não somos. Voltamos a existir, junto com todas as coisas.
12,2 Produzir algo
12,3 Criar algo em nós mesmos como arte, cultura, educação
13, Mas se esquecer o primeiro, os outros dois serão como crianças orfãs – sem rumo.
14, Esquecer do zazen é esquecer de Deus. Não se dar conta de quem Ele é. Como criar assim?
15, Esquecer da fonte de nossa criatividade é ficar como órfão.
16, Viver é criar problemas, desde quando nascemos.
17, Mas quem cria com o grande eu, quem doa, não cria problemas nem pra si nem pros outros.
18, Devemos esquecer o que fizemos: este é o verdadeiro não-apego.
19, Lembrar e levar em consideração quando preciso, mas sem apego.
20, Agir no presente é trabalhar em algo novo. Isto é criar. É dana prajna paramita.
21, Fazer algo é assumir nossa atividade criadora. A partir do sentar-se em zazen.

Erros na Prática.

1, No começo do zazen, tende-se a idealizar modelo e meta.
2, No momento em que alcançar sua ideia de ganho, se criará outra.
3, Pior ainda é praticar competindo com outrem.
4, No Soto Zen, shikan taza, simplesmente sentar-se.
5, O tédio é um sinal. Você desanima com sua prática quando ela é idealista.
6, Quando sua prática é ambiciosa, você desanima com ela.
7, Deixando pra trás o erro e renovando o caminho, pode se retomar a prática original.
8. Perseverar sozinho na prática desencoraja, por isso é bom um mestre.
9, Outro engano é pratica pelo prazer que proporciona.
10, Os quatro graus da prática no budismo Hinayana
10,1 Prática sem qualquer alegria, nem espiritual. Simplesmente praticar, esquecendo a si e à prática
10,2, Ter prazer físico na prática.
10,3 Prazer físico e mental, bem-estar
10,4 Não ter nem pensamento nem curiosidade na prática.
11, Quando há dificuldades na prática, há alguma ideia errada sobre ela
11,1 Mas não abandone. Continue, ciente de sua fragilidade. Sem ideia de ganho.
12, Mesmo na prática errada, se tomar consciência e perseverar, será a prática correta.
13, O próprio cansar-se da prática é um estímulo. Tome como sinal, como a dor de dentes que leva ao dentista.
14, Ichygio zammai (samadhi da ação única, em japonês): ao prostar, prostrar-se, ao comer, comer.

Limitando sua Atividade

1, Não há propósito específico nem objeto de devoção.
2, Joshu: um Buda de barro não atravessa a água.
3, Restringir a atividade, concentrando-se no que está fazendo no momento.
4, A mente deixa de vagar noutros lugares, e você pode expressar a si próprio.

Estudando a si mesmo

1, O propósito de estudar o budismo não é estudar o budismo, é estudar a si mesmo.
2, Mas o ensinamento não é você: é um meio para chegar a conhecer você.
3, É preciso deixar o mestre, tornar-se independente.
4, Rinzai: os 4 modos de instruir o estudante
4,1 Falar acerca dele
4,2 Falar acerca do ensinamento
4,3 Explanação sobre um ou outro
4,4 Não dar instrução alguma
5, Quando o mestre não diz nada e você senta em zazen, isto é o ensino sem ensino.
6, O estudo é parte da vida diária. Encontrar o sentido da vida é encontrar o do cotidiano.
7, Simplesmente fazer o que tinha de ser feito
8, O monge acha a vida dele comum. As pessoas da cidade é que são diferentes.
9, Mas são as pessoas que vivem fora do mosteiro que sentem sua atmosfera. Ou o monge quando sai e retorna adiante.
10, Quem está praticando, nada sente.
11, Por isso, ter sentimentos sobre o budismo não importa. Ele não é bom nem mau.
12, Um pouco de estímulo é necessário, mas é apenas estímulo. Não é o propósito. É um remédio.
13, O ensino perfeito nada diz sobre o estudante nem lhe dá estímulos.
14, Nós mesmos somos a grande atividade.
15, Mas não há necessidade de falar disso, de falar de nós.
16, Falar de nós mesmos, portanto, é esquecer de nós mesmos.

Polir uma telha

1, Uma rã se senta como o monge, mas não pensa que está fazendo algo especial.
2, Como polir uma telha até virar uma jóia? Não há zazen fora da atividade cotidiana.
3, Dogen: quando Bashô se torna Bashô, o Zen se torna Zen.
4, Quando você se torna você, zazen se torna zazen.
5, Se você está aí, a dificuldade não é problema. Você senta nela, ela se torna parte de você e vice-versa. Não há problema.
6, Mas quando você se perde, surge o problema.
7, Quando você pratica zazen, seu problema está praticando também.
8, Quando você faz parte do seu ambiente, é zazen. Quando você divaga na ilusão, ele some e sua mente também.
9, Polir a telha sim, mas não para fazê-la outra coisa.
10, O outono chega antes do verão acabar.
11, Não é importante saber se é possível atingir o estado de Buda.
12, E nem isto deve ser uma meta.
13, Em vez de acumular conhecimentos, aclarar sua mente. E todo conhecimento será seu.
14, Vacuidade, poder pleno, saber pleno.
15, Se você aceita as coisas como são, acolherá as coisas como velhas amigas, mas com um novo sentimento.
16, Temos de estar livres do nosso conhecimento
17, Nin: não é paciência, que pode esconder não-aceitação. É mais para constância.

Comunicação

1, Falar diretamente e com clareza. Ouvir sem ideias preconcebidas. Aceitar as coisas como são.
2, É difícil haver boa comunicação entre pais e filhos, pois os pais possuem intenções, mesmo boas.
3, Uma mente cheia de ideias preconcebidas, intenções e hábitos não pode ver as coisas como elas são.
4, Mas o modo zen de comunicar-se envolve essencialmente sentar-se em zazen em silêncio


Negativo e Positivo

1, Quanto mais compreendemos o caminho, mais difícil fica falar sobre ele.
2, O melhor é simplesmente praticar sem dizer nada.
3, O caminho tem um lado negativo e um positivo. Não dá pra falar dos dois ao mesmo tempo. Por isto os mal entendidos.
4, Na comunicação perfeita, difícil de alcançar, falar é uma prática e ouvir também.
5, O Soto tem prática Hinayana (rígida e formal), com mente Mahayana (informal). Junta algo dos dois caminhos do budismo.
6, Dentro da prática, não há formalidade nem informalidade.
7, Quando você faz tudo com a mente grande, sem julgar se é bom ou mau, com a mente e o corpo, então esse é o caminho.
8, Dogen: se uma pessoa discorda do que você diz, apenas escute as objeções, até que a pessoa encontre algo errado nelas.
9, Ou seja, reflita com a pessoa.
10, Não tente ganhar a discussão. Nem se comporte como se a houvesse perdido.
11, Não há propósito especial no falar e ouvir. Às vezes, se fala, ou se ouve. Eis tudo.
12, A mente grande é algo que se expressa, não que se decifra. É algo que se tem, não que se busca.

Nirvana, a queda dágua

1, Quando Dogen buscava água, voltava só com metade do balde, devolvia a metade ao rio.
2, Isso é respeito pela água. É ser um com a água. Não se trata de economia.
3, Enquanto rio, a água não tem nenhuma sensação. Cai sem dificuldade. Mas pra cada gota é muito difícil uma queda tão grande. E ela tem a sensação da dificuldade.
4, Quando se nasce, se separa do todo. Se passa a ter sentimentos. Você tem dificuldades porque tem sentimentos.
5, Quando não percebe que é um com o Universo, tem medo.
6, Dividida ou não, a água é água. Vida e morte são uma mesma coisa.
7, Se não tememos mais a morte, desaparecem os problemas da vida.
8, Nirvana é o morrer neste sentido. Integrar-se ao rio. Prosseguir uno com ele.
9, Quando vemos que tudo é vacuidade, encontramos o sentido da vida. A beleza da vida.
10, Com a mente pequena, oraignoramos, ora subestimamos, ora superestimamos a beleza das coisas.





Mente Zen, Mente de Principiante - Parte III - Compreensão Correta

TERCEIRA PARTE – COMPREENSÃO CORRETA

O Espírito Tradicional

1, O mais importante não é a compreensão profunda do budismo, mas a postura correta e o respirar.
2, O budismo é muito profundo, mas o zen não se preocupa com ele.
3, Importa praticar, com a fé real de que somos a natureza do Buda.
4, No Zen, não há uma longa preparação, mas a iluminação é súbita, quando se pratica zazen.
5, Não importa o estado atingido, mas a confiança em nossa natureza e a sinceridade na prática.
6, Sair da ideia egocentrica de atingir algo. Ser e transmitir o espírito búdico.
7, A vida budista não deve ser vida cármica.
8, O propósito da prática é interromper o giro da mente cármica. Querer isto já é carma.
9, Qualquer prática com intenção de ganho é repetição do seu carma.
10, A postura e a respiração não são meios para atingir estados, como uma droga.
11, Elas são o caminho. E quem vive o caminho e não a meta, já atingiu a iluminação.
12, Se está preso ao objetivo, sua mente de macaco não sabe o que está fazendo.
13, Está tentando olhar para uma coisa com os olhos fechados.
14, Bodhidharma entendeu que criar um ideal elevado e tentar atingi-lo é ilusão.
15, Isto pode parecer sublime, mas é a própria mente do macaco cotidiana.
16, Buda continuou com seu carma depois da iluminação. Sofria, agia. Continuou se esforçando.
17, Ele observava a si mesmo e aos outros como observava uma planta ou animal.
18, Com nossa prática, quebramos a roda cármica e encontramos nosso lugar verdadeiro no real.

Impermanência

1, Impermanência é mudança. Tudo muda
2, [a permanência é apenas uma provisória não mudança. Ou uma mudança lenta, imperceptível]
3, Impermanência é também inexistência de uma entidade universal.
4, [O todo é mudança. A parte é não mudança. Mas a parte só é parte quando participa. E participar é mudar. Uma parte separada está sempre de partida. O todo é sempre partida]
5, Isto é nirvana.
6, Por não aceitar a impermanência é que sofremos.
7, A causa do sofrimento é a não-aceitação da verdade.
8, Dogen: ensinamento que não parece forçar alguma coisa em você não é verdadeiro ensinamento.
9, O ensinamento não força. É nossa natureza resistente que o recebe como se fosse imposto.
10, Devemos encontrar a existência perfeita na imperfeita, a perfeição na imperfeição.
11, O eterno existe por causa do impermanente. Não há nada fora deste mundo.
12, O prazer não é diferente do sofrimento. O bom não difere do mau.
13 A iluminação está na prática. Não adiante ou fora dela.
14, Encontrar prazer na dor é a única forma de lidar com a verdade da impermanência da vida.
15, Esse é o esforço correto.
16, Enquanto não formos fortes pra aceitar a dificuldade como prazer, estaremos no esforço.
17, Quando se sofre, há certo prazer em lembrar da impermanência. Por que não tê-lo sempre?
18, É preciso mudar, inclusive, a sua aceitação da verdade da impermanência.

A qualidade do Ser

1, O propósito do zazen é atignir a liberdade do ser.
2, Cada ente é uma centelha no mundo dos fenômenos.
3, A luz das estrelas viaja a imensidão a velocidades extremas. Mas as estrelas são tranquilas.
4, Tranqulidade é atividade. E atividade é tranqulidade.
5, Tranqulidade é harmonia em nosso ser. E atividade ágil também.
6, Quietude e movimento. [mente e corpo]
7, A quietude do zazen permite a imensa atividade do ser.
8, O mundo lá fora não muda quando você está livre. Mas você percebe a impermanência e a não conexão.
9, O eu de ontem não é o de hoje. O carvão não se torna cinza. Cinza é cinza. Tem seu próprio passado e futuro.
10, O carvão, a brisa e a cinza são centelhas diferentes no mundo dos fenômenos.
11, Somos o mesmo ser. E somos diferentes. Esta é a liberdade do ser.
12, Mas, embora diferentes, somos um com todos os fenômenos.
13, Quando eu sento em zazen, todas as coisas sentam comigo. Tudo faz parte da qualidade do meu ser.
14, Antes que você pinte, o ser já está lá, o resultado.
15, Ainda que sente sem fazer nada, todo o seu passado e presente, toda a sua atividade está ali. Isto é o seu ser.
16, Dogen se interessou pelo budismo menino, ao ver a fumaça de um incenso a exalar ao lado de sua mãe morta.
17, Sentiu grande solidão, e esta cresceu até que aos 28 anos ele afirmou ao iluminar-se: não há corpo, não há mente.
18, Por pensar que há mente e corpo, é que você se sente só.
19, Mas quando entende que é apenas uma centelha na vastidão do universo, seu ser se ilumina com a qualidade do ser de todas as coisas.

Naturalidade

1, Jinem ken gedo: naturalidade herética. Deixar o policiamento de lado. Sem formalidade.
2, Mas a verdadeira naturalidade é estar independente de tudo. Atividade não baseada em coisa alguma.
3, Para a planta, ser natural não é um problema. Para nós, um trabalho.
4, É comer quando se tem fome. Mas quando se tem expectativas demais, comer não é algo natural.
5, O zazen é sentar-se como quem bebe água quando tem sede.
6, Dormir a sesta porque todos dormem não é naturalidade. Querer dinheiro porque todos têm.
7, Se sua mente está presa a alguma ideia, sua ou de outrem, você não é independente, você não é você, você não é natural.
8, Shin ku myo u: verdadeiro, vacuidade, maravilhoso, ser. Da verdadeira vacuidade, emerge o ser maravilhoso.
9, Sem o nada, não há naturalidade. O ser emerge do nada a cada momento.
10, Mas a gente esquece do nada e se comporta como se possuísse algo.
11, Não ter nada em sua mente, quando ouve ou age, é naturalidade.
12, Mas se tem alguma ideia pra comparar com o que o outro diz, a compreensão é parcial. Não há naturalidade.
13, Quando se entrega pleno a uma tarefa, há naturalidade. Você não possui nada.
14, [Concluir á tarefa é esvaziar-se novamente. E devolvê-la ao nada]
15, Nyu nan shin: sentimento suave, não rigidez, mente. Mente suave e flexível.


Vacuidade

1, Para estudar budismo, abandone toda ideia de substancialidade ou existência.
2, Para as pessoas, tudo existe. Mas tudo existe e não existe.
3, A existência verdadeira emerge da vacuidade e retorna a ela.
4, Só o que emerge do vazio é verdadeira existência.
5, Devemos atravessar o portal do vazio.
6, Enquanto tivermos ideias preconcebidas ou expectativas do futuro, não podemos levar em consideração o momento presente.
7, Quando fazemos nosso caminho, ele expressa o caminho universal.
8, Quando você compreende uma coisa em profundidade, compreende tudo.
9, Mas se tenta entender tudo, não entende nada.
10, Por isso, melhor é compreender a si mesmo.
11, Ao se empenhar no seu caminho, você ajuda todos e é ajudado por todos.
12, Antes disso, não pode ajudar ninguém e ninguém pode te ajudar.
13, Temos que deixar sempre de lado tudo que temos em mente e aprender o novo a cada momento.
14, Faça uma faxina na mente. Tire tudo e limpe. Se necessário, recoloque no lugar.
15, Passo a passo faço cessar o som do riacho murmurante: isso é liberdade, isso é renúncia.
16, Se posso deter o fluxo dos pensamentos, posso apreciar o meu esforço.
17, Mas se estou preso a ideias fixas ou habitos de fazer, não aprecio nada verdadeiramente.
18, O caminho não é sempre na mesma direção. Se posso ir pro leste, posso ir pro oeste. Isto é sair da dualidade.
19, Não posso buscar a liberdade. Sem liberdade não posso buscar. [E com liberdade não preciso buscar].
20, Concentração não é esforço para observar algo. Isto cansa logo. É esforço dirigido ao nada.

Estar alerta, estar consciente

1, Compreender a verdade não dá a salvação. É a própria salvação.
2, A iluminação não vem da prática. É a prática. E o que vem antes dela também.
3, Quando é você quem pratica, o zazen é outra coisa. Quando não é você, o zazen simplesmente é.
4, Vacuidade significa que tudo está sempre aqui.
5, Sabedoria é prontidão da mente. Emerge da consciência.

Acreditando no Nada

1, Acreditar em algo sem forma, que existe antes de tudo.
2, Na busca incessante por um ideal, não há tempo para a serenidade.
3, Aceitar que tudo é, e emerge do nada, e retorna ao nada, é serenidade.
4, Isto não é niilismo. Algo existe. E tem leis e e muda.
5, Quase todos os nossos pensamentos são egocentrados.
6, Por isso nos entediamos ao estudar ou ler sutras, mas estamos despertos ao pensar em nós mesmos.

Apego e não-apego

1, Dia e noite não são diferentes. A mesma coisa ora é dia, ora é noite. Eles são o mesmo.
2, Zazen e atividade diária, idem.
3, Unicidade e diversidade também.
4, Dogen: muito embora tudo tenha a natureza de Buda, amamos as flores e desprezamos as ervas daninhas.
5 Apegar-se ao belo e repudiar o horrendo é atividade de Buda.
6, O apego do Buda é não apego.
7, Aceitar o ódio. O não apego.
8, Deve haver ódio no amor, e amor no ódio. São uma coisa só. Aceitar as flores e as ervas.
9, Não há distinção entre o ignorante e o sábio
10, Não se aprende o que não já se sabia.
11, Realçar um dos aspectos com ideias egocentradas é a fonte dos problemas.
12, Felicidade é infelicidade e infelicidade é felicidade

Quietude

1, No zazen, você nada pensa ou sente. Mas a quietude dele irá encorajá-lo na vida diária.
2, O valor do zen está mais no dia a dia, o que não lhe diz pra negligenciar o zazen.
3, O homem comum reclama de tudo. Mas o estudante zen vê na erva daninha um tesouro.
4, A vida se torna uma arte.
5, Tentar obter ou fazer algo no zen é dualismo. Não é quietude total.
6, O que é mais importante: atingir a iluminação, ou atingir a iluminação antes de atingi-la?

Experiência, não filosofia

1, Não devemos nos ocupar com o resultado do nosso esforço, mas com a fonte de sua origem.
2, Se a origem não é pura, ele é incorreto e o resultado não será bom.
3, Zazen é retomar nossa forma pura de viver, nossa natureza original.
4, Sem ideia de ganho e com a mais pura intenção
5, [A intenção não é pura quando há uma segunda intenção. Quando há uma segunda intenção, desaparece a primeira. A primeira é uma aparência, e eu não estou intentando o que digo aos outros ou a mim mesmo que estou intentando].
6, Não é preciso entender. Quando fazemos de forma pura, sequer sabemos o que estamos fazendo.

Budismo original

1, O zazen não é as quatro atividades do Buda: inclui todas as atividades
2, O budismo não é um ensinamento de Buda. É a Verdade anterior a ele e que inclui todas as verdades.
3, O modo como sentamos é o modo como agimos.
4, O ensinamento está em todo momento
5, Não devemos fazer isto ou aquilo. Devemos ser o Buda, e tudo ser a atividade do Buda.

Além da Consciência

1, Ter boas coisas na mente nem sempre é bom. Pode ser uma carga.
2, O importante é se você consegue criar a paz a manter. Mesmo não seguindo o Buda à risca.
3, Quem tem algo em mente, não está sereno.
4, Nem tente parar a mente durante a prática. Deixe tudo como está.
5, Apenas mantenha convicção firme na vacuidade e impermanência. Vai passar.
6, O vazio da mente nem é um estado da mente, mas a essência da mente original.
7, Natureza do buda, vacuidade, tudo isto significa quietude da mente.
8, Dogen: baseie sua prática na sua ilusão

Iluminação do Buda

1, Nem se orgulhar de suas conquistas, nem desanimar por conta de um esforço idealista.


Epílogo – Mente zen

1, Bodhidarma: se você quer ver o peixe, tem que observar a água.
2, Se as regras forem muito estritas, você falhará. Se muito frouxas, não funcionarão.



Excessso

Quando
o excessso
passsa
a ser a regra

sobra
só a sobra
e a sobra
um dia
então
so
ço
bra.

A Falta e a Sobra

Uma verdade preciosa, mas difícil de interiorizar:

Aquilo que buscamos
A nossa carência
Aquilo que suplicamos em nossas preces
O nosso mais profundo anseio

É o que precisamos dar.

Aquilo que nos falta
É, precisamente, o que nos falta dar.

Doar o que se deseja para si é a maneira mais plena de, finalmente, tê-lo.

A abundância só existe na partilha. Quem não vive na abundância não percebe a imensidão de recursos com que é cumulado: tempo, saúde, inteligência, liberdade, família, comida, ar, água, oportunidade, vida, etc, etc, etc...

O avarento tem tudo - e chora constantemente a sua miséria.
O medroso se acautela de tudo - e tudo para ele é risco.
O infeliz não encontra alegria em nada - porque nunca se permite alegrar alguém.
O fracassado fallha sempre - porque não celebra o estar vivo como a maior vitória.

É como a falta de ar: não é o ar que falta, falta conseguir respirar. Receber o ar de fora e entregar o ar de dentro.

"Olhai as aves do céu", disse aquele que não tinha duas túnicas, que não tinha onde reclinar a cabeçar, mas que afirmar, altaneiro, que "venceu o mundo".

A carência lança, no chão do real, uma sombra chamada desejo. Silhueta projetada por uma luz chamada vontade.

Ambos visam a satisfação, mas com uma diferença: o desejo quer ser satisfeito. A vontade quer satisfazer.

O que te falta? O que você tem desejado?
O que te sobra, por trás disto? O que você tem recusado querer?

O Ritmo do Ser

Eu dou passos mais amenos
mas eu não fico pra trás:
aprendi que um pouco menos,
com constância, é muito mais. 

As Sete Leis Espirituais do Sucesso - Introdução

Introdução

Sucesso é expansão contínua da felicidade e realização progressiva de objetivos compensadores

Envolve sempre outras pessoas e a dimensão espiritual. Bens materiais são só pequena parte: há também saúde, energia, entusiasmo, relacionamentos, liberdade criativa, estabilidade emocional, física, bem estar e paz de espírito.

Sucesso é a jornada, não o destino.

Mas tudo isto não satisfaz, se não cultivamos as sementes do divino em nós.

Somos divindades disfarçadas, embriões de deuses, buscando realização.

O verdadeiro sucesso é, pois, a experiência do milagre.

É o divino se abrindo em nosso interior.

É a percepção dele em toda a parte e sempre, não de vez em quando ou limitado aqui ou ali.

Lei é o processo pelo qual o imanifesto se manifesta. Que o observador se transforma no observado, o vidente naquilo que vê, o sonhador no seu próprio sonho.

Tudo que contemplamos vem do desconhecido.

A fonte de toda a criação é a divindade – Espírito.

O processo da criação é divindade em movimento – Mente.

O objeto da criação é o universo físico – Matéria.

Observador, ato de observar, observado. Todos vêm da potencialidade pura, do não manifesto.


As mesmas leis que a natureza usa para criar uma galáxia, uma floresta, um corpo, realizam nossos desejos.  

As Sete Leis Espirituais do Sucesso 1 - A Lei de Potencialidade Pura


Capítulo 1 – A Lei de Potencialidade Pura

A fonte de toda criação é potencialidade pura, que busca expressar-se do imanifesto para o manifesto.

Quando descobrimos que nosso Eu é potencialidade pura, nos alinhamos à força que coordena tudo no Universo.

Somos consciência pura. O campo de todas as possibilidades e criatividade infinita.

Ser infinito e ilimitado, pura satisfação.

Conhecimento puro, silêncio infinito, equilíbrio perfeito, invencibilidade, felicidade, simplicidade.

No conhecer-se reside a possibilidade de realizar tudo.

Lei da potencialidade pura é também lei da unidade: na diversidade da vida, a unidade do espírito.

A experiência do Eu é auto-referência. Seu ponto de referência é o espírito.

A experiência do ego é objeto-referência. Se influencia pelas coisas, seres, acontecimentos.

Nesta, buscamos aprovação, controle, poder. Antecipamos toda resposta externa: vivemos no medo.

O ego é a auto-imagem, a máscara social. O papel social. Por isso precisa de aprovação.

O Eu não teme desafios, é imune a críticas, não se sente inferior nem superior.

É pura magia, mistério, encantamento.

O autopoder é o verdadeiro poder.

O poder do ego, como dinheiro ou cargo, desaparece junto com as coisas quando acabam.

O autopoder magnetiza e atrai pessoas, coisas, situações.

Traz ao estado de graça do divino em nós.

Atrai e cria vínculos. Poder do amor.















Como acessar a Lei da Potencialidade pura


Três caminhos: silêncio, meditação, não-julgamento.

Silenciar. Reservar tempo para simplesmente ser.

Afastar-se periodicamente da fala. E de atividades como leitura, rádio, televisão.

Meditar.

Evitar julgamentos.



No início, o silêncio total traz desespero e ansiedade. Depois calmaria.

A mente desiste quando descobre que o Eu ou Espírito não vai falar.

Nesse momento, se experimenta o campo de potencialidade pura.

Na meditação, se acessa o campo do silêncio puro, onde está a percepção pura, o infinito poder de organização, o terreno da criatividade infinita, onde tudo está conectado a tudo o que existe.

É possível despertar um impulso de intenção neste campo, para que o desejo se manifeste. Mas primeiro é preciso aquietar.

No silêncio puro, a intenção mais remota espalha ondas na consciência universal.

Não julgar, não avaliar.

Julgar cria turbulência no diálogo interior, restringe o fluxo de energia, de estreita o espaço vazio entre os pensamentos.


Após praticar estes, o contato com a Natureza. Dará integração com os elementos e com todas as coisas.


Acessar a nossa verdadeira essência nos ilumina acerca dos nossos Relacionamentos. Estes são sempre reflexos do nosso relaciomento consigo mesmo.

Se tenho culpa ou medo em relação ao dinheiro, os tenhos em mim mesmo.

Se acesso meu Eu, descubro que os bens materiais são energia vital, potencialidade pura. Igual natureza à minha.

Franz Kafka: "Você não precisa sair do seu quarto. Fique sentado diante da mesa e ouça. Não precisa nem ouvir, simplesmente espere. Não precisa nem esperar, simplesmente fique quieto, silencioso, solitário. E o mundo se oferecerá espontaneamente a você para ser descoberto. Ele não tem outra opção senão atirar-se em êxtase aos seus pés. "
A mente quieta e serena desperta e convive com a mente criativa e dinâmica.

Equilíbrio criativo perfeito entre quietude e movimento.

Harmonia dos opostos, que nos torna imune a tudo – circunstâncias, pessoas.

O mundo da energia, o caldo quântico, é a substância imaterial do mundo.

O mundo da energia é fluente, dinâmico, elástico, mutável, eterno movimento. Ao mesmo tempo, é imutável, quieto, tranquilo, silecioso, eterno repouso.

A quietude é o potencial da criatividade. O movimento é criação restrita. A conjunção deles é criatividade infinita.

[Quando a minha mente está quieta, o meu agir caminha. Quando a minha mente caminha por aí, o meu agir não vai a lugar nenhum.]


Aplicação da Lei da Potencialidade Pura

1 – Entrar em contato com campo da potencialidade pura, reservando um momento do dia para estar em silêncio, para apenas ser. Sozinho em meditação pelo menos duas vezes no dia, 30 min, de manhã e de Noite.

2 – Momento diário de comunhão com a natureza, observando a Inteligência infinita em tudo, e sentir a pulsação da potencialidade pura.

3 – Praticar o não-julgamento, fazendo o compromisso ao acordar e buscando o manter.


As Sete Leis Espirituais do Sucesso 2 - A Lei de Doação


Capítulo 2 – A Lei de Doação

Lei do dar e do receber

Nada é estático. O Universo funciona através de trocas dinâmicas.

Seu corpo é parte do corpo do universo. Sua mente, da mente cósmica. Sua energia, da energia unviersal.

O fluxo da vida é a interação harmoniosa de todos os elementos e forças.

Tudo o que para de fluir, coagula. Sangue, dinheiro, energia.

O mesmo nos relacionamentos. Tudo que sai volta, tudo que sobe desce.

No fundo, receber é o mesmo que dar, ambos aspectos do fluxo.

Quanto mais dá, mais recebe, pois mantém a abundância do universo circulando.

Tudo que é valioso se multiplica quando dado.

Se você acha que perdeu ao dar, não deu.

Se deu de má vontade, não fluiu energia no seu ato.

A intenção é alegria de quem recebe e de quem dá.

A felicidade é geradora e sustentadora de vida.

O retorno é proporcional ao volume da doação sincera e incondicional.

Pela lei da doação, você deve dar antes aquilo que deseja para si.

Nem que seja uma oração ou bênção. Pois nosso corpo é energia e informação num universo idem;

Somos consciência localizada num universo consciente. Pensamentos num cosmo pensante.

E pensar é transformar.

Quem sabe dar aquilo que procura ativa a dança da vida.

A melhor maneira de aplicar a lei de doação é decidir dar algo a cada pessoa que encontrar. Sempre.

As formas mais poderosas de dar são imateriais.

Quanto mais se dá, mais cresce a confiança nessa lei poderosa.

Nossa natureza é abundância, porque é potencialidade pura.

Nada nos falta, se queremos para nós e para os outros.


Aplicação da lei de doação

1 – Dar um presente a cada pessoa que encontrar – para fazer circular energia, bênção e vida

2 – Receber agradecido cada dádiva que a vida oferece.


3 – Assumir o compromisso de manter a vida circulando, dando e recebendo os mais preciosos presenes.