A numerosofia pitagórica. Os 10 números primordiais e sua correspondência cabalística.


1 – Notas gerais: matemática e mística. Geometria sagrada e Gematria.

Pitágoras, matemático e filósofo grego, estudo em profundidade as propriedades ocultas dos números, para ele considerados mais que meras quantidades, como hoje se entende.

Nesta perspectiva, a relação entre a aritmética, a geometria e a mística era visceral e cheia de axiomas herméticos e secretas implicações. Assunto da chamada Geometria Sagrada.

Pitágoras notou, por exemplo, que o pentagrama é feito do prolongamento das diagonais do pentágono regular. E gera outro pentágoro a partir da proporção áurea.

Outro aspecto importante desta relação é a Gematria, o cálculo de propriedades místicas e numerosóficas das palavras a partir da correspondência entre letras e números segundo chaves pré-estabelecidas.

Embora se tenha perdido as chaves gemátricas dos textos em língua grega, os estudos da gematria no judaísmo místico atravessaram os milênios. Ambos, porém, derivaram do manancial egípcio, com as evidentes adaptações culturais e linguísticas para cada povo e lugar.

2 – Numerologia

Outro importante pilar da mística pitagórica dos números é a numerosofia ou numerologia.

O estudo das propriedades metafísicas dos números revela, para Pitágoras, aspectos das estruturas fundamentais do Cosmos, na exata medida em que as mesmas se exprimem através destes números elementares.

Assim, o número 1 representa o ponto, Deus, o Cosmo, o Universo. Por um ponto, passam infinitas retas. O Cosmo é o embrião de infinitas possibilidades. Deus é o criador de infinitas realidades. Infinito e ilimitado.

Na Kabbalah Hermética, o um representa Kether.

O número 2 traz a primeira contraposição ao um. A Dualidade. É a Linha, une dois pontos. Infinitos planos rotacionando, mas  já limitados pelo eixo de rotação, que é a linha. Um infinito já limitado a uma perspectiva fundante.  

Na Kabbalahn, o dois é Chocmah, sabedoria. Universo espelhado, bipartido em duas metades antagônicas mas complementares, o externo complementando o interno. Yang e Yin.

O número 3 traz a Restrição. Fecha o Plano. Limite. Escala (maior, médio e menor).

Cabalisticamente, corresponde a Binah. Astrologicamente, a Saturno.

Com o número 4, tem-se o Sólido. O Espaço.

Na Cabala, corresponde a Chesed. Astrologicamente, a Júpiter.

O quatro traz o Plano da manifestação, a estratégia, o domínio de toda a realidade.

Traz a preparação para vibrar o Fogo da vontade (que representa o ternário superior) no mental.

Estabiliza os quatro elementos. Define os 3 pontos que definem a Terra mais o que define o céu. Por isso Júpiter, o que reina.

O 5 é o Número do homem, cabeça, braços e pernas, pentagrama.

Representa também a Quintessência, para além dos quatro elementos (e que, para alguns, é o Espírito).

Na Kabbalah, é Geburah. Na astrologia, é Marte.

Já o 6 é o Número da Perfeição. Cabalisticamente, equivale a Tiferet, a Beleza.

É um ir além do homem comum. Dois triângulos, com vértice pra cima, material em direção a Deus, e pra baixo, o espiritual derramando no mundo.

Tiferet é Raciocínio claro, essencial, despojado do ego. É a individualidade para além do ego ou personalidade.

Astrologicamente é o Sol, representado pela Estrela de Davi, em cujas seis pontas estão Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.

O 7 é Número da Criação. Por isto mesmo, é o número do Co-criador divino, daquele que participa da obra do Pai.

É a Soma do triângulo espiritual com a quaternidade material.
Assim na terra, como no céu.

Tem várias correspondências como as sete notas musicais, os Sete tronos da Umbanda, etc.

O 8 representa o Cubo duplo, matéria sobre matéria. Infinito. Realidade profunda.
Rosa dos Ventos, com todas as direções.

Por isto mesmo, representado pelos Mensageiros entre dimensões – Hermes, Toth, Exu.

O 9 representa cabalisticamente os 3 triângulos superior da árvore da vida 1 (Princípio criador, sabedoria e entendimento), 2 (Rigor, Misericórdia e Beleza) e 3 (Razão, emoção e intuição).

Representa especificamente Yesod, o fundamento, a estrutura suficiente para dar forma ao mundo material

Por fim, o 10 corresponde a Malkuth – o Reino. O mundo material.

Indica também (e portanto) a Busca para unificar o sagrado com o Reino material. Realizar o Céu na Terra.

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