Miguel Reale - Filosofia do Direito Cap 2: A Filosofia como ciência em sentido lato

A tentativa de estabelecer um estatuto científico para a filosofia, independentemente do que se entenda por ciência, não é novidade nas províncias filosóficas.

A episteme era o saber especial de Sócrates e Platão.

A filosofia primeira era vista, por Aristóteles, como ciência dos primeiros princípios, do ser enquanto ser e da substância.

Hegel intitulou o seu sistema filosófico como ‘Sistema da Ciência’.

Husserl escreveu uma obra luminosa dedicada ao projeto da “filosofia como ciência rigorosa”.

Mas, sobretudo, quem levou esta tarefa mais ao pé da letra foi o Positivismo de Comte, que pretendia tratar a Filosofia como uma espécie de Metaciência, de saber sistemático-científico, de Enciclopédia das Ciências, de Ciência Universal dos princípios fundamentais das demais ciências.

Ao tempo de Reale, o Positivismo ainda vigorava com grande força nos quadrantes da cultura ocidental. Assim, não é estranho a ele o problema da filosofia como ciência, o problema positivista. E é em relação a ele que Reale que filosofia é ciência em sentido lato, enquanto sistema de conhecimentos metodicamente adquiridos e integrados numa unidade coerente.

Porém, ele logo assinala a diferença: a filosofia se afasta da ciência ao não gozar de validade universal e verificação objetiva, inclusive empírica, da certeza de seus dados e resultados, recordando que a Epistemologia atual ainda acrescenta à ciência (Popper) a refutabilidade.




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